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the dungeon


 

China Hamilton

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por dungette ?s 10h57
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Eu sei, mas não devia

 


Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

Marina Colasanti

1972

 



Escrito por dungette ?s 16h49
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André  Gide

 

22/11/1869 

19/02/1951

 

André Paul Guillaume Gide ,foi um escritor francês e

vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 1947.

Oriundo de uma família da alta burguesia, foi o

fundador da Editora Gallimard e da revista

Nouvelle Revue Française. Gide não somente

era homossexual assumido, como também

falava abertamente em favor dos direitos

dos homossexuais, tendo escrito e publicado,

entre 1910 e 1924, um livro destinado a

combater os preconceitos homofóbicos da

sociedade de seu tempo, Corydon.

Liberdade e libertação recusando restrições morais

e puritanas, a sua obra articula-se ao redor da

busca permanente da honestidade intelectual:

como ser igual a si mesmo, ao ponto de assumir

a sua pederastia e a sua homossexualidade,

 sem nunca deixar de respeitar os valores em

que se acredita? Entre as suas obras mais

importantes estão Os frutos da terra, a já

mencionada Corydon, A sinfonia pastoral,

O imoralista e Os moedeiros falsos.

 

 



Escrito por dungette ?s 21h39
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Ato de Contrição

 

Passo a manhã a me furtar do que vou escrever, me apresento mil motivos para não fazê-lo, mas existe um maior e irrefutável para realizar. Uma das primeiras lições que aprendi, ainda adentrando o Universo BDSM, antes do efetivo debut foi com um Mestre MUUUUUito especial a quem desejei servir ardorosamente. Esse 'descobridor de íntimos' com quem galguei em arriscadas 4 horas todos os degraus recomendados para o primeiro encontro real, esclareceu de forma impar a diferença entre ser submissa e 'abobada'.

 

Atitude submissa: o termo pode parecer contraditório mas faz a enorme diferença entre colocar-se a disposição e estar ali. Submissa tem que ter atitude, tem que merecer, tem que fazer por onde ser digna da atenção, da disposição e desejo de um Dominador. Dizer faz de mim o que quiser é fácil, e até mesmo deixar acontecer, mas colocar-se sob domínio é algo além.

 

Uma mulher de mente mais aberta, com disposição para o prazer pode perfeitamente servir para a satisfação do Homem e estar aberta a uma diversidade imensa de práticas mas isso não faz dela uma submissa. A submissa se coloca a disposição desse Homem, entrega-lhe mais que o corpo e o coração, dá-lhe a alma, desfaz-se de seu desejo próprio e passa a realizar o Dele, seja a que custo for.

 

Somente como adendo, existe o outro lado da moeda – sempre – que é a atitude Dominante, necessária para a manutenção da atitude submissa. Mas esta não é objetivo desse texto.

 

Perfeita então a teoria. Chegamos à prática. Então o que é simples como a tomar uma certa complexidade.

 

Estando em cena ou sessão, como preferirem, a simples presença física do Dono e a impossibilidade de interferência externa nos fazem perfeitas, e comuns, pois ali estamos sob domínio físico. A presença e a simples certeza do castigo imediato, intensificada pela grande possibilidade Dele ser também um Sádico, são suficientes para a manutenção do seu desejo e intenção de servir.

 

Porque eu não duvido que haja em toda aquela que se propõe a ser submissa, e mais ainda àquelas que fecham contrato e se tornam propriedade de outrem, a real intenção de servir. Isso vem de um desejo, de uma fantasia interna e ao se deparar com Aquele que deseja ser servido isso naturalmente virá a tona (acredito inclusive que na maior parte das relações sexuais alguém esta a servir alguém).

 

Agora a real vocação do servir é mais rara, é inerente, não será treinada. A servidão que está  na alma, e que somente será resgatada por Aquele que for capaz, essa somente submerge quando há o pleno entendimento da atitude submissa.

(continua)



Escrito por dungette ?s 23h23
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E esta aparece realmente no momento da dificuldade, naquela hora em que todos os deuses conspiram a seu favor e promovem momentos onde a sua escorregadela, falha ou falta de compromisso não poderá ser percebida por nenhum outro ser humano, onde tudo é perfeito para você relaxar e deixar acontecer. Tudo convida ao 'pecado' com a tranqüilidade de nada nem ninguém pode nem cogitar a sua falhabilidade.

 

É como no meio do regime, dar aquela atacadela na geladeira de madrugada, e comer um enorme pedaço de pudim. Ninguém nunca saberá! E muito provavelmente não fará quase nenhuma diferença na dieta. Afinal, depois disso você vai mantê-la no mais absoluto controle.

 

Aliás, você será inclusive mais rígida consigo mesma, porque afinal, VOCÊ SABE que errou, VOCÊ SABE que não cumpriu a regra e comprometeu a proposta.

 

E isso vai mudar algo??? Somente VOCÊ SABE a resposta. Somente VOCÊ SABE em que nível encara a submissão, qual o tamanho do seu compromisso com a sua verdade, e o quanto você está disposta a crescer, encarar, superar e desenvolver-se.

 

Porque entrar em contato com seu eu inteiro, bem e mal, se não houver a proposta de desenvolver-se, ser melhor, todo dia, cada vez mais? Porque não pegar todas as suas características nem tão adoráveis assim e lapidá-las?

 

Se o meu erro permite ao Dominador castigar-me é pelo sadismo ou seria pela capacidade Dele tornar-me a melhor, a mais inacreditável das mulheres? Dominador é instrutor correcional de colégio ou é Aquele que te eleva, te sublima e te faz Mulher Submissa?

 

Porque sempre haverá algo a ser melhorado, aperfeiçoado, somado ao que já foi Criado em você. Reconhecer isso é sempre um primeiro passo, e é inerente a submissão ter a humildade de reconhecer-se falha e imperfeita e estar pronta a superar-se.

 

Pra isso Ele precisa que você tenha atitude, que você se coloque nas mãos dele, sob sua tutela e condução, que você apresente todas as suas lacunas menos louváveis ao julgamento e sentença Dele. E tenha confiança e certeza de que Ele saberá lhe ofertar o melhor de você mesma.

vaquinha

 



Escrito por dungette ?s 23h22
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Senhoras meninas,

eleito o  1º   Gostoso

de  A Caminho das Índias

 

BAHUAN

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por dungette ?s 20h04
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O MEDO

 

Penso sempre na importância do medo na minha vida.
Como seria a submissão sem medo.
E se existiria a submissão sem o medo.
Sem esse tempero fundamental,
na hora de excitação extrema,
onde os limites são expandidos e até esquecidos,
onde todos meus valores são postos a prova.
Difícil imaginar!...
É a entrega absoluta, fruto do medo e da confiança.
Pois como o Dominador, tem prazer em ver o medo,
e eu não o expresso só com meus olhos,
meu corpo recende a medo .
Eu tenho prazer em sentir o medo
e ver nos olhos dele, o prazer de presenciar
o meu medo e o prazer que este medo me causa!
Este é o ponto !...
A dialética de uma relação de dominação.
A tese e antítese... A síntese, como diria Hegel.
Ou mais ainda...”A descrição exata do real ” ,
segundo Marx.

 

 

 



Escrito por dungette ?s 14h37
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ansiosa...

 

 

 



Escrito por dungette ?s 23h41
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EU TE AMO... Não diz tudo !



Você sabe que é amado porque lhe disseram isso?

A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e palavras.

Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida,

Que zela pela sua felicidade,
Que se preocupa quando as coisas não estão dando certo,

Que se coloca a postos para ouvir suas dúvidas,
E que dá uma sacudida em você quando for preciso.

Ser amado é ver que ele lembra de coisas que você contou dois anos atrás,

É ver como ele fica triste quando você está triste,
E como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d'água.

Sente-se amado aquele que não vê transformada a mágoa em munição na hora da discussão.

Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente inteiro.
Aquele que sabe que tudo pode ser dito e compreendido.

Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é,
Sem inventar um personagem para a relação,
Pois personagem nenhum se sustenta muito tempo.

Sente-se amado quem não ofega, mas suspira;
Quem não levanta a voz, mas fala;
Quem não concorda, mas escuta.

Agora, sente-se e escute: Eu te amo não diz tudo!

"Para conquistarmos algo na vida não é necessário, apenas, força ou talento;

é preciso, acima de tudo, ter vivido um grande amor"


Arnaldo Jabor

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por dungette ?s 16h22
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