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 D? uma nota para meu blog


 
 

 Anninha do Leonardo
 Bela
 Celia
 Kleiton
 MMP - Masmorra do Mestre Paulo
 maria{SS}
 Teimosa





the dungeon


 

 

Tu e eu

Somos diferentes, tu e eu.
Tens forma e graça
e a sabedoria de só saber crescer
até dar pé.
Eu não sei onde quero chegar
e só sirvo para uma coisa
- que não sei qual é!
És de outra pipa
e eu de um cripto.
Tu, lipa
Eu, calipto.

Gostas de um som tempestade
roque lenha
muito heavy
Prefiro o barroco italiano
e dos alemães
o mais leve.
És vidrada no Lobo
eu sou mais albônico.
Tu, fão.
Eu, fônico.

És suculenta
e selvagem
como uma fruta do trópico
Eu já sequei
e me resignei
como um socialista utópico.
Tu não tens nada de mim
eu não tenho nada teu.
Tu, piniquim.
Eu, ropeu.

Gostas daquelas festas
que começam mal e terminam pior.
Gosto de graves rituais
em que sou pertinente
e, ao mesmo tempo, o prior.
Tu és um corpo e eu um vulto,
és uma miss, eu um místico.
Tu, multo.
Eu, carístico.

És colorida,
um pouco aérea,
e só pensas em ti.
Sou meio cinzento,
algo rasteiro,
e só penso em Pi.
Somos cada um de um pano
uma sã e o outro insano.
Tu, cano.
Eu, clidiano.

Dizes na cara
o que te vem a cabeça
com coragem e ânimo.
Hesito entre duas palavras,
escolho uma terceira
e no fim digo o sinônimo.
Tu não temes o engano
enquanto eu cismo.
Tu, tano.
Eu, femismo.

Luis Fernando Veríssimo

 



Escrito por dungette ?s 10h31
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Fazendo tanto barulho

Você vai acordar meu orgulho

Que tanto dorme por nós

Tudo relevo e tolero

Mas já falei eu não quero

que me levante a voz

Apesar das divergências

Com todas as desavenças

A gente não separou

Porque meus olhos fechei

E sem rancor, perdoei

Os seus crimes de amor

 

Pode mentir à vontade

Eu sei que fidelidade

Não é seu forte afinal

E mesmo que eu quisesse

Ainda que eu pudesse

Não ia fazer igual

Porque só beijo quem amo

Só abraço quem gosto

Só me dou por paixão

Eu só sei amar direito

Nasci com esse defeito

No coração

 

Roque Ferreira

 

 

 



Escrito por dungette ?s 23h34
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Linda

 

Linda e eu nos encontramos num bar e nem chegamos a esquentar as cadeiras lá, em menos de meia hora estávamos entrando no quarto de um motel ali perto. Não era a toa que marquei o primeiro encontro nesse bar, se é que me entendem. Eu disse que estava empolgado e queria muito ela. Mais ainda quando a vi ao vivo e a cores, ela era uma garota bonita mesmo, um metro e setenta e pouco, não muito magra, cabelos marrom escuro, pele branca bem macia, um rosto delicado e fino, pescoço comprido, fino, dois olhos penetrantes que brilhavam, um pouco tristes até, e se mostrava muito nervosa. Segundo ela, seria a primeira vez que faria SM fora do chat, e eu gosto de pensar que ela dizia a verdade.
Entramos no quarto do motel e eu fui direto à janela. Não havia nada no quarto além da cama e uns poucos metro de chão entre esta e a porta de entrada, um tanto a menos de chão entre ela e à janela a que eu fui. Tinha também um banheiro, um espelho grande atrás da cabeceira da cama, apenas uma cômoda com cinzeiro e fósforos da casa como cortesia e um móvel com frigobar na parede oposta a cama. O banheiro não vou descrever, pois não o conheci. Ah, e a cama era do tipo retangular, não redonda, e era mais larga que as de casal. Era bem arrumada também, mais detalhes eu não lembro.
Quando eu me dirigi à janela, fiquei de costas a Linda, completamente ignorando-a. De propósito? Sim. Meu estilo. Mas havia um outro motivo, e esse era bem simples, algo que acontece muito comigo: ansiedade. E quando fico ansioso, às vezes, sinto as pernas tremerem, principalmente o músculo da coxa, o da frente. Não é algo que uma submissa goste de ver, e embora eu não me incomode com a tremedeira (até acho bem gostoso, pra falar a verdade), eu tenho várias maneiras de esconder isto, quando acontece, todas bem discretas. A primeira é mandar a escrava fechar os olhos, ou usar uma venda nela, e ela não verá nada. Outra é ir pra janela.
Eu abri a janela e me debrucei nela, acendi um cigarro e vi o movimentos dos carros na rua abaixo. Ver a cidade me relaxa. Não demorou muito para Linda me chamar.
- Mestre?

(continua)



Escrito por dungette ?s 16h50
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- Senta na cama - disse eu somente virando o rosto pra lado e apontando a cama com o cigarro, ou menos tentando apontar ela direito. Não me virei de frente pra Linda, e mesmo olhando de lado, não pude vê-la. - Tira os seus brinquedos, esvazia a bolsa nela. - Dei uma pausa e pensei em algo novo pra dizer, então acrescentei. - E arruma tudo direitinho, quero ver como você é caprichosa, minha escrava.
Sim, sim, ela que trouxe os “brinquedos”. Eu raramente levo algo num encontro, prefiro que elas levem. Afinal, são as mulheres que carregam bolsas pra lá e pra cá, e não os homens. Há quem goste do estilo. O que mais tem por aí é submissa com fantasia de “burro de carga”.
Ainda olhando pela janela, mas desta vez com o corpo um pouco mais reto, eu ouvi o barulho dela se sentando na cama. O ruído da bolsa se abrindo, e logo de coisas sendo retiradas dela, foi o sinal que eu esperava para me virar. Acho que as pernas tremiam ainda, pouco, mas não tenho certeza. E, com certeza, ela não estaria reparando agora. Sentada na cama, as pernas fechadas e a bolsa aberta no seu colo, a cabeça baixa, com apenas uma mão ela retirava objeto por objeto de dentro da bolsa e os colocava arrumado, enfileirado, um junto do outro, tudo bem separadinho e bonitinho na cama. Era sim uma escrava caprichosa.
Me aproximei dela por trás, ela sentava na parte dos pés da cama. Então sentei sobre minha perna na lateral, bem atrás dela. Desta vez era ela quem deveria me ignorar. Peguei um dos pregadores e o olhei.
- Ainda nervosa - eu brinquei. Ela concordou com a cabeça sem parar de retirar os objetos da bolsa. Sua lentidão era memorável, ela não tinha pressa alguma, até parece que ela não queria começar a cena.
Mas eu queria. Então mandei que ela tirasse os sapatos, ficasse descalça. Disse pra parar um pouco com a arrumação para obedecer, e foi o que ela fez. Depois, quando ela estava preste a tocar a bolsa de novo, eu disse.
- Agora a blusa.
Ela tirou. Ainda estava lerda. Tremia muito, e não era de frio.
- Sabe, Linda - disse eu enquanto mexia em um ou outro brinquedo que ela trouxe (se querem a listinha inteira, eram seis lápis, doze pregadores de varal, todos de madeira, barbantes, camisinhas - que ela comprou também -, um dildo não muito grande, uma venda, duas velas e uma fita comprida de cetim vermelha. Tão pouco e, imaginem, ela não chegou a esvaziar a bolsa toda nesse dia) -, tudo o que está aqui, ou aí dentro ainda, só está pra te torturar.

 

(continua)



Escrito por dungette ?s 16h49
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- Eu sei - ela disse sem firmeza. Passei a boca dum pregador pelas costas dela. O arrepio a fez parar por um momento o que estava fazendo.
- Tudo, tudo, tudo... não é a toa que fica nervosa.
Ela ainda não voltou a esvaziar a bolsa, os ombros encolhidos e tensos não a deixavam, mas eu estava pouco me lixando pra maldita bolsa. Eu queria era curtir a escrava, agora que eu já tinha começado.
- Vai se entregar a eles e a mim, e não tem como escapar. Você só volta a ser sua quando isso tudo acabar.
- Eu sei mestre - ela conseguiu dizer. Dei o próximo passo, que era desabotoar seu sutiã. Tinha seios médios, não eram muito firmes, mas agradáveis de se ver. E ainda mais de se tocar.
- São seus seios? - Perguntei como quem não quer nada, minha mão apertando um deles, ela ainda se decidindo se retirava o sutiã de vez ou o deixava pendurado nos braços.
- Não, eles são seus, mestre - ela disse, visivelmente nervosa. Estava tão tensa que não poderia perceber o que eu faria em seguida. Bom, ao menos ela me deu a resposta que eu esperava.
Apertei o peito em minha mão com força, quase o esmagando dentro do meu punho. Ela gemeu alto, eu ri. Rindo, eu falei.
- Meus, meus, meus, claro... - eu disse. - Claro que não. Eu não sinto nada - e apertei mais uma vez. - Eu não, mas você sente, não sente? - Eu perguntei e apertei de novo. Ela se apressou em responder que sim, balançando a cabeça e falando com uma voz tremida. Eu passei a mão por outro peito, acariciei um pouco e a deixei na expectativa: quando eu iria apertá-lo, se é que eu vou?... mas eu o apertei também, minha mão machucando como uma pinça mecânica, e nada disso demorou muito. - Eles dois estão em seu corpo, eles são seus - eu disse. Parei de apertar para continuar a falar. Linda apenas escutava, ela não ousava se mexer neste momento. - Você é minha hoje, mas eles são seus. Estão no seu corpo, você não pode fugir deles. E seu corpo todo vai sofrer hoje, menina, e disso você não pode fugir.
Ela não respondeu muita coisa coerente nessa parte, Linda estava toda atrapalhada. Adoro deixar uma escrava assim. Se ela já era assustada no chat, imagina na real. Eu só queria piorar a situação dela para ver até onde ela chegava, então depois eu a acalmaria. Mas não era o momento de acalmar ainda.

(continua)



Escrito por dungette ?s 16h47
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Prendi o pregador que estava na minha mão no mamilo dela. Belisquei o mamilo e prendi. Sem pressa, eu peguei outro, e prendi o outro mamilo. Depois foi um bico, depois foram apenas os seios. Foram cinco em um seio, quatro no outro. Enquanto eu prendia, eu ainda falava. Falei muito, mas a parte mais legal...
Aliás, o que copiaram essa estória minha de Animaizinhos Selvagens no chat, tanto mestrecos quanto rainhecas que teclaram comigo disfarçado de escravas pra aprender... Hoje a estória é até famosa.
- Sim, mestre.
- E eles adoram morder você. Entregue-se a mim, escrava.
- Eu sou tua, meu mestre.
- Sim, mestre, eu me entrego.
Pobre coitada, não conseguia mesmo falar muita coisa.
- Levanta da cama e abaixa as calças.
Trêmula, ela levantou, e o sutiã caiu de seus braços de vez. Eu não esperei Linda abaixar a calça toda para tomar sua calcinha em minha mão e puxá-la pra cima, fazer um fio dental. Queria ver o que eu tinha em mãos para saber como proceder... e para me excitar também. Eu adoro ver corpos, e o dela era fantástico.
Ela deixou a calça, uma calça preta jeans, cair toda no chão, e depois, graciosa, tirou um pé depois do outro de dentro da calça. Fez isso por causa dos pregadores, que incomodavam demais quando se curvava para frente. Quando ela endireitou seu corpo, ainda de costas pra mim, eu a peguei de surpresa segurando seus cotovelos e os trazendo para trás das costas. Aproximei-os o máximo que pude, usando até minha perna pra apoiar as costas dela (não façam isso se não souberem como fazer direito, pode dar problemas de coluna na garota se você fizer errado), e depois os amarrei com um laço improvisado. Eu fui bem rápido neste ponto pra que, quando ela caísse em si, já estivesse amarrada. Era sua primeira vez, e ser amarrada a deixou muito apreensiva. Mas, boa escrava que era ela não abriu a boca, apenas soluçava baixinho. Eu comecei a amarrar as mãos dela e expliquei, bem baixinho, em voz calma e tranquila, a minha boca sobre o ombro dela, perto da orelha.

(continua)



Escrito por dungette ?s 16h46
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Me ajoelhei na frente dela, e desci sua calcinha, bem devagar. Retirei-a de seus pés, um de cada vez, ao que ela não resistiu em nada, aí me levantei e abri as pernas dela devagar com uma mão apenas, deixando as coxas um pouco afastadas uma da outra. Ela abriu os olhos neste ponto, mande que fechasse de novo. Peguei-a pela orelha para explicar.
- Olhinho, aqui, linda, só abre quando eu digo “aaaaaaabre-te, sésamo”.
Ela voltou a chorar, por causa da orelha ou do medo, mas concordou apressada com a cabeça e não reclamou. Em vez de “sim”, desta vez, ela disse “é”, um “é” apressado e cheio de aflição.
Soltei a orelha dela e fiz um carinho na mesma. Cheguei minha boca perto da mesma orelha e desta vez evitei tocar os pregadores com meu peito ao me aproximar.
- Você sabe gozar sozinha, escrava? - Eu sussurrei. Ela disse que sim. - É? Então goze pra eu ver - eu disse com sarcasmo e afastei meu rosto do dela. Estiquei o braço e usei-o para prender o corpo dela contra a parede, segurando-a pelo ombro.
Coitada, ela não podia gozar. Não “sozinha”, e sem ajuda das mãos. Abriu os olhos de novo pra confirmar minha ordem, fechou rapidinha quando percebeu a bobagem que fez. Eu deixei passar. Nervosa com o castigo que ela achava que viria (e que não veio), ela não abriu a boca. Linda parecia estar sendo possuída pelo diabo, de tanto que seu corpo tremia.
- Ah, não pode... - eu ri. - Coitada, coitadinha... Não pode gozar sozinha, a minha escrava. - Em tom mais firme, mas ainda com voz num nível normal, pois eu odeio gritar, eu disse. - Fique exatamente aí.
Não sei se Linda me olhou ou não. Mas se ela não abriu os olhos, ela apenas ouviu meus passos se distanciando, o barulho que fiz para abrir sua bolsa (ninguém mandou ela ser lerda em esvaziá-la, metade das coisas ainda estavam lá dentro), pegar algo de dentro dela. Eu voltei rápido, e ela estava paradinha colada na parede, bem quietinha em seu canto. Cheguei próximo a ela, de novo usei meu braço direito pra prendê-la na parede e, por assim dizer, manter certa distância. Quis vê-la inteira, e isso só se pode fazer a uma certa distância. Então, com a outra mão, passei a boca do pregador que apanhei na bolsa pelo clitóris dela, vindo de lá de trás até na frente, e voltando.

(continua)



Escrito por dungette ?s 16h40
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Linda gemeu alto, o susto, creio, a fez dar um gritinho. Eu estalei a língua umas três vezes e depois fiz um “shhh” com a boca. Ela entendeu o recado. Prendi esse pregador num lábio dela, e depois era meu dedo a passear pelo clitóris de linda. Ela estava ensopada, e sua boceta toda tremia em meio a espasmos e contrações.
- Agora você consegue gozar.
- Hã-hã - elas disse balançando a cabeça. Estava tão quente que não sentiria mais dor, não importava o que eu fizesse. Notei o clitóris se retraindo com meu toque, e como sei o que isso quer dizer (que ela está gozando), eu parei de tocá-lo assim. Não era uma boa hora para minha escrava gozar ainda, eu pensei, e eu belisquei o seu clitóris com os dedos, aproximando meu corpo do dela e puxando o clitóris pra baixo com força. Ela deu um grito alto desta vez, e ficou aflita. Tanto que eu tive que chegar mais perto do que pretendia e acalmá-la com a voz e minha mão em seu rosto.
- Calma, calma.. psss... Ainda não é hora - eu fui dizendo enquanto relaxa os dedos que a beliscava. Segurando o clitóris com o indicador e o polegar, usei o dedo médio para acariciar ele pelos lados. Linda já estava em transe de novo, e iria ficar assim pelo próximo minuto e meio, enquanto eu mordia e beijava aquele seu longo e belo pescoço e a masturbava. Para me ajudar, ela virou a cabeça pro lado, ainda de olhos fechados, e assim seu pescoço inteiro ficou a minha disposição. Eu parei as mordidas apenas para dizer, bem tranquilo, “agora sim é hora”. Ela gozou na minha mão, gemendo alto, gozando forte, uma mulher animalesca...
Quando acabou, segurei-a de novo pelo ombro, para dar apoio a ela, e ela não cair. Estava tremendo inteira, toda, cada músculo do seu corpo se contorcia em espasmos. Como disse antes, Linda estava em transe... ainda. As coxas, que ao entrar no motel me pareceram tão firmes, agora pareciam dois pedaços de carne mole a tremer em torno do osso a que estavam presas. Se é que os ossos também não davam lá sua tremidinha. Linda simplesmente não parava de tremer.

(continua)



Escrito por dungette ?s 16h37
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“Bom”, pensei eu, “com ela tremendo assim, vou ter que tirar os pregadores”. Claro que não era por causa da dor que ela tremia, ela nem a sentia agora (e os “animaizinhos”, no final, se revelaram bastante inúteis perto do dono deles), mas não seria legal ela continuar com algo se sentir... pelo menos nessa primeira vez.
Mas antes eu quis dar uma olhada nela, a cabeça de lado, aquele pescoço comprido esticado, mordido, brilhando de molhado dos meus beijos, aqueles fechados... ah, eu não resisti...
- Você é linda, escrava.

...e foi depois disso que a coisa deu chabú.

 

Uma pena, Linda teimar em certas coisa, que não havíamos combinado antes. Ou, melhor, que tínhamos combinado que não aconteceria. Para abreviar a estória, ela pediu pra eu xingá-la, coisa que não deveria acontecer (porque eu não gosto de fazer). Então mandei ela se vestir e ir embora: como ela não foi, fui eu.

Uma pena, era uma boa garota, linguinha arisca, uma pena que a usou para falar o que não devia na hora errada. Mas são coisas que acontecem.

 



     Pássaro Cruel

 

 



Escrito por dungette ?s 16h30
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Senhoras e meninas :

 

 

Vamos escolher o 3º GOSTOSO

 

de

 

Caminho das Índias?

 

 

Pandit 

Radesh

Raj

Ramiro

ou

 

Raul ? 

 

 

Quem você acha que deve

 

concorrer  com

 

 

BAHUAN e MURILO

 

 

 

para estar do outro lado do chicote?

 

 

 

 



Escrito por dungette ?s 12h38
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Qual a receita de um Dono perfeito?

É preciso  respeitar  os limites...

É preciso  haver pele...

É preciso ser de  estado civil compatível...

É preciso  dispor de tempo pra  relação...

É preciso morar  na mesma  cidade....

É preciso ter humildade pra reconhecer os erros...

É preciso  compreender  as impossibilidades práticas...

É preciso saber  bater gostoso...

Mas se além de ser cruel e saber humilhar  como nenhum  outro

ainda  souber  ser doce  e beijar ternamente,

só haverá um  problema :

o risco de se apaixonar...

 

 



Escrito por dungette ?s 15h10
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A Mulher Madura


O rosto da mulher madura entrou na moldura de meus olhos.

De repente, a surpreendo num banco olhando de soslaio, aguardando sua vez no balcão. Outras vezes ela passa por mim na rua entre os camelôs. Vezes outras a entrevejo no espelho de uma joalheria. A mulher madura, com seu rosto denso esculpido como o de uma atriz grega, tem qualquer coisa de Melina Mercouri ou de Anouke Aimé.

Há uma serenidade nos seus gestos, longe dos desperdícios da adolescência, quando se esbanjam pernas, braços e bocas ruidosamente. A adolescente não sabe ainda os limites de seu corpo e vai florescendo estabanada. É como um nadador principiante, faz muito barulho, joga muita água para os lados. Enfim, desborda.

A mulher madura nada no tempo e flui com a serenidade de um peixe. O silêncio em torno de seus gestos tem algo do repouso da garça sobre o lago. Seu olhar sobre os objetos não é de gula ou de concupiscência. Seus olhos não violam as coisas, mas as envolvem ternamente. Sabem a distância entre seu corpo e o mundo.

A mulher madura é assim: tem algo de orquídea que brota exclusiva de um tronco, inteira. Não é um canteiro de margaridas jovens tagarelando nas manhãs.

A adolescente, com o brilho de seus cabelos, com essa irradiação que vem dos dentes e dos olhos, nos extasia. Mas a mulher madura tem um som de adágio em suas formas. E até no gozo ela soa com a profundidade de um violoncelo e a sutileza de um oboé sobre a campina do leito.

A boca da mulher madura tem uma indizível sabedoria. Ela chorou na madrugada e abriu-se em opaco espanto. Ela conheceu a traição e ela mesma saiu sozinha para se deixar invadir pela dimensão de outros corpos. Por isto as suas mãos são líricas no drama e repõem no seu corpo um aprendizado da macia paina de setembro e abril.

O corpo da mulher madura é um corpo que já tem história. Inscrições se fizeram em sua superfície. Seu corpo não é como na adolescência uma pura e agreste possibilidade. Ela conhece seus mecanismos, apalpa suas mensagens, decodifica as ameaças numa intimidade respeitosa.

Sei que falo de uma certa mulher madura localizada numa classe social, e os mais politizados têm que ter condescendência e me entender. A maturidade também vem à mulher pobre, mas vem com tal violência que o verde se perverte e sobre os casebres e corpos tudo se reveste de uma marrom tristeza.

Na verdade, talvez a mulher madura não se saiba assim inteira ante seu olho interior. Talvez a sua aura se inscreva melhor no olho exterior, que a maturidade é também algo que o outro nos confere, complementarmente. Maturidade é essa coisa dupla: um jogo de espelhos revelador.

Cada idade tem seu esplendor. É um equívoco pensá-lo apenas como um relâmpago de juventude, um brilho de raquetes e pernas sobre as praias do tempo. Cada idade tem seu brilho e é preciso que cada um descubra o fulgor do próprio corpo.

A mulher madura está pronta para algo definitivo.

Merece, por exemplo, sentar-se naquela praça de Siena à tarde acompanhando com o complacente olhar o vôo das andorinhas e as crianças a brincar. A mulher madura tem esse ar de que, enfim, está pronta para ir à Grécia. Descolou-se da superfície das coisas. Merece profundidades. Por isto, pode-se dizer que a mulher madura não ostenta jóias. As jóias brotaram de seu tronco, incorporaram-se naturalmente ao seu rosto, como se fossem prendas do tempo.

A mulher madura é um ser luminoso é repousante às quatro horas da tarde, quando as sereias se banham e saem discretamente perfumadas com seus filhos pelos parques do dia. Pena que seu marido não note, perdido que está nos escritórios e mesquinhas ações nos múltiplos mercados dos gestos. Ele não sabe, mas deveria voltar para casa tão maduro quanto Yves Montand e Paul Newman, quando nos seus filmes.

Sobretudo, o primeiro namorado ou o primeiro marido não sabem o que perderam em não esperá-la madurar. Ali está uma mulher madura, mais que nunca pronta para quem a souber amar.

Affonso Romano de Sant'Anna

1985

 

 

 



Escrito por dungette ?s 19h33
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